sábado, 19 de julho de 2008

Continua
...

Caíram mais duas ou três folhas em seu ombro. Não era um bom sinal, não estava nada bom. Ela continuava lá e ele sentado sem saber o que fazer. “Não era sua culpa, não merecia aquele lugar, não deveria estar lá”.
A escuridão predominava até o fim da rua. Deveriam estar acesas as luzes dos postes, mas não estavam. A culpa martelava em sua cabeça, seria um sinal?
Várias outras folhas caíam, não mais em seu ombro, mas por todo o corpo. A cada minuto que se passava, mais escuro ficava e mais folhas espalhavam-se pelo chão.
Não ia conseguir agüentar, a cabeça agora doía, seu pulso parecia uma locomotiva, o pensamento descordenava-se. Tinha que tira-la de lá, daqui a noventa dias seria inverno. Não ia suportar a culpa de deixa-la na escuridão e no frio.

... Continua

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